Membros

Ana Raquel Motta de Souza, anaraquelms@gmail.com

Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (1996), Mestrado (2004) e Doutorado (2009, com bolsa FAPESP) em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas. Possui Pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da PUC-SP (2012-2015, com bolsa FAPESP), com estágio de um ano como Visiting Scholar na University of Texas at Austin (2013-2014, com bolsa BEPE – FAPESP). É professora do Núcleo de Língua Portuguesa das Faculdades de Campinas (FACAMP). Suas áreas principais de atuação são a Linguística, a Análise do Discurso, a Linguística Aplicada, o Ensino de Língua Materna, a relação Linguagem e Trabalho e a Cultura Brasileira. É editora adjunta da Revista Ergologia (Université Aix Marseille). É pesquisadora vinculada aos Grupos de Pesquisa Atelier: linguagem e trabalho e Fórmulas e Estereótipos – Teoria e Análise (FEsTA). Membro do GT Linguagem, Enunciação e Trabalho da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL).

Pesquisa em desenvolvimento – Linguagem e trabalho: o papel da música

Encarando a música e o trabalho como práticas discursivas, a pesquisa busca mostrar a importância do papel da música em diferentes tipos de trabalho. Seu principal objetivo é deslocar o enfoque estreito dos cantos de trabalho, comumente caracterizado pela busca de expressões musicais com autenticidade intocada, realizados por trabalhadores tradicionais, e investigar o papel do discurso musical em diferentes atividades de trabalho. No campo da Linguística Aplicada, o estudo da relação entre linguagem e trabalho é um foco importante para compreender essas duas atividades humanas e suas implicações mútuas. Considerando a atividade musical como uma prática discursiva intersemiótica, a pesquisa parte da observação de que em todos os grupos humanos, em muitos tempos e lugares, essa atividade (frequentemente, mas não sempre acompanhada de palavra cantada) ocorre durante as atividades de trabalho de algum modo. O uso da música no trabalho faz parte das práticas discursivas das atividades laborais. Assim, é possível perguntar: o que a música no trabalho diz sobre a relação entre linguagem e trabalho? E ainda, por que e como as pessoas usam essa forma específica de discurso enquanto trabalham? Para responder a essas questões, a pesquisa mobiliza três bases teórico-metodológicas em uma triangulação interdisciplinar: a análise do discurso, a etnomusicologia e a ergologia.

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Anselmo Pereira de Lima, selmolima@hotmail.com

Doutor e Mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP – 2003-2008). Licenciado em Letras Português-Inglês pelas Faculdades Oswaldo Cruz, em São Paulo (FOC-SP – 1999-2002). Estágio de Doutorado na Equipe Clínica da Atividade do Departamento de Psicologia do Trabalho do Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNAM) de Paris – França – como bolsista CAPES (2006-2007). Estágio de Pós-Doutorado na Faculdade de Educação e Desenvolvimento Humano da University of Delaware (UDel) com colaborações na LaGuardia Community College of The City University of New York (CUNY) – Estados Unidos – como bolsista CAPES-FULBRIGHT (2013-2014). Professor-Pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Câmpus Pato Branco. Atua nos Programas de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) e em Letras (PPGL), no qual exerce o cargo de vice-coordenador, e no Curso de Licenciatura em Letras Português-Inglês. Líder do Grupo de Pesquisa CNPq Linguagem, Atividade e Desenvolvimento Humano (LAD’Humano) e pesquisador dos Grupos CNPq ATELIER Linguagem e Trabalho (PUC-SP) e Laboratório de Estudos Avançados de Linguagens (UCPEL). Membro do GT Linguagem, Enunciação e Trabalho (ANPOLL). Membro da International Society for Cultural-Historical Activity Research (ISCAR). Participa do Conselho Editorial de várias revistas científicas. Interessa-se, principalmente, por iniciativas de ensino, pesquisa e extensão com foco em relações entre Linguagem, Educação e Trabalho na linha dos escritos de Bakhtin e do Círculo e de Vygotsky e seus Colaboradores.

Pesquisa em desenvolvimento – Relações existentes entre linguagem e atividade humana em contextos educacionais e de trabalho

Tendo como base teórica certa articulação dos escritos de Mikhail Bakhtin e seu Círculo com os de Vigotski e seus Colaboradores, o objetivo deste projeto de pesquisa é estudar a linguagem e a atividade humana de modo conjunto, uma vez que esses dois fenômenos se constituem mutuamente, se interpenetrando e se interdefinindo. Para a realização de trabalhos que contribuam para o alcance desse objetivo, lançando-se mão de procedimentos metodológicos diversificados, oriundos da Linguística Aplicada e da Psicologia do Trabalho, busca-se focalizar práticas de linguagem em atividades que se desenvolvem em contextos educacionais e de trabalho, considerando-se que a educação pode ser abordada como trabalho e que o trabalho, por sua vez, pode ser abordado como educação.

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Décio Orlando Soares da Rocha, rochadm@uol.com.br

Possui graduação em Português-Literaturas pela Universidade Gama Filho (1976), licenciatura e bacharelado em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1977) e Complementação Pedagógica em Língua Francesa pela Universidade Santa Úrsula (1980). Concluiu curso de mestrado em Letras pela PUC-RJ (1990), D.E.A. em Sciences du Langage – Université Paris III Sorbonne-Nouvelle (1995) e doutorado em Linguística Aplicada pela PUC-SP (1997). De 2010 a 2012 realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal Fluminense (Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem do Instituto de Letras). Atualmente é Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde trabalha com Linguística e Análise do Discurso (em cursos de Graduação e no Programa de Pós-Graduação em Letras do Instituto de Letras). Professor aposentado de Língua francesa do Instituto de Aplicação da Uerj, onde atuou durante 35 anos, é membro do GT-Anpoll Linguagem, Enunciação e Trabalho e dos grupos de pesquisa Atelier e PraLinS (CNPq). Tem experiência na área de Linguística Aplicada e Análise do discurso, atuando principalmente nos seguintes temas: enunciação, prática discursiva, relação linguagem e trabalho, ensino de línguas, produção de subjetividade.

Pesquisa em desenvolvimento – Análise do discurso e dispositivos de produção de subjetividade: paratopia dos discursos científicos 

Tomando por base uma concepção de linguagem que, para além do poder de representação das práticas linguageiras, busca explicitar seus dispositivos de intervenção na produção de real, o presente projeto de pesquisa visa responder, em linhas gerais, a um tríplice desafio: (i) investigar a natureza paratópica dos discursos científicos em seus diferentes registros, levando em consideração que se trata de uma categoria de discurso constituinte que, à diferença dos discursos filosóficos e literários, permanece até o momento largamente inexplorada sob a ótica da paratopia; (ii) articular os resultados da dimensão paratópica desses discursos à noção de subjetividade, explicitando os dispositivos de sua produção; (iii) dar prosseguimento às pesquisas que articulam linguagem e trabalho, com ênfase em uma modalidade de trabalho que vem sendo explorada por este pesquisador em seus últimos projetos: o trabalho docente.

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Fátima Cristina da Costa Pessoa, fpessoa37@gmail.com

Possui graduação em Letras e Artes pela Universidade Federal do Pará (1990), mestrado em Letras: Linguística e Teoria Literária pela Universidade Federal do Pará (1997) e doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2004). Atualmente é Professora Associada da Universidade Federal do Pará, atuando na Faculdade de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Letras. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, especificamente em Análise do Discurso, atuando principalmente na interface linguagem, discurso e trabalho. É Diretora Adjunta do Instituto de Letras e Comunicação da UFPA. Já atuou como coordenadora do Curso de Letras na modalidade a distância, no período de 2008 a 2010. É integrante do Grupo de Trabalho da ANPOLL Linguagem, Enunciação e Trabalho e exerce a função de coordenadora deste grupo no biênio 2014-2016. É membro do grupo de pesquisa ATELIER Linguagem e Trabalho, cadastrado no diretório de pesquisa do CNPq. No biênio 2013-2015, exerceu a função de vice-presidente da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN).

Pesquisa em desenvolvimento – Práticas discursivas nos contextos do trabalho: reconhecendo vocações enunciativas.

O projeto privilegia a abordagem discursiva dos fenômenos de linguagem, principalmente a conjunção entre a dimensão discursiva e a dimensão acional das práticas humanas. Entendendo-se que todo o exercício enunciativo insere-se em um quadro acional que o determina e que por ele é determinado, busca-se compreender a complexidade da articulação entre a ordem dos discursos e a ordem das ações conjuntas articuladas em toda situação de interação. O conceito de prática discursiva é o conceito principal a ser discutido e aprofundado para a abordagem dessa relação entre a dimensão do dizer e a dimensão do fazer e o conceito de vocação enunciativa orienta para a compreensão das coerções que determinam o dizer e o fazer de sujeitos inscritos em uma ordem sócio-histórica à qual não estão imunes. No projeto em tela, a relação interdisciplinar é tecida principalmente com a Ergologia, campo do conhecimento que se propõe a pensar a atividade humana do trabalho. Busca-se compreender o trabalho não meramente em sua dimensão técnica, mas em sua dimensão reflexiva e constitutiva dos sujeitos, dos espaços e dos tempos do trabalho, abordagem que se articula com as pesquisas em Análise do Discurso porque também nesse campo do saber a linguagem é considerada em seu caráter constitutivo dos sujeitos, da realidade circundante, dos lugares de enunciação e dos valores assumidos nos contextos de enunciação.

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Marcella Machado de Campos, mamachadodecampos@gmail.com

Mestre (CNPq; conclusão 2014) e doutoranda (CAPES; previsão de conclusão 2018) em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP. Pesquisadora discente do Grupo Atelier – Linguagem e Trabalho (CNPq). Atuou como professora eventual de Produção de Textos Acadêmicos (COGEAE – PUC/SP) e de Análise do Discurso (Unip). É tradutora técnica, exercendo a profissão desde 1998. Seus estudos estão centrados em pressupostos da Análise do Discurso francesa e da Ergologia. Interessa-se pela investigação de questões de (identidade de) gênero, trabalho e desigualdade social que se manifestam no universo discursivo.

Pesquisa em desenvolvimento – Paratopia de “T” de identidade de gênero (CAPES)

Para compreendermos, sob o ponto de vista do discurso, como a circulação na mídia dos referentes travesti, transexual e transgênero contribui para seu alijamento social, propomos discutir e tensionar o conceito de paratopia segundo a obra de Maingueneau. Ao investigarmos como transita o acrônimo LGTB, aqui entendido como fórmula do discurso, seus mais diferentes usos, relevadores de relações de poder e de opinião (Krieg-Planque, 2010), atestam a emergência daquilo que convencionamos chamar paratopia identitária – a complexa inscrição de travestis, transexuais e transgêneros no universo discursivo. Na contramão do seu sexo biológico, consideramos que travestis, transexuais e transgêneros são paratópicos por excelência, pois não se encaixam em nenhuma das topias preestabelecidas fundadas a partir do binarismo masculino e feminino, o que acaba por relegar, a elas e a eles, uma marginalização imemorial e consequente desigualdade tendo em vista que, perante o rechaço reiterado nos âmbitos social, político e jurídico da existência que reivindicam, seu papel como enunciadores de um discurso é comprometido caso concordemos que “para estar em conformidade com sua enunciação, o produtor de um texto deve construir ele mesmo uma impossível identidade por meio das formas de pertencimento/não pertencimento à sociedade” (MAINGUENEAU, 2010:160).

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Maria Cecília Pérez de Souza e Silva, cecilinh@uol.com.br

Professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL), PUC/SP. Mestrado e Doutorado nessa mesma Universidade; pós-doutorado na Université Sorbonne Nouvelle – Paris III. Bolsista Produtividade em Pesquisa – nível 1 do CNPq. Líder do grupo Atelier Linguagem e Trabalho (PUCSP/CNPq) e pesquisadora dos grupos Tessitura: Vozes em (Dis)curso (PUCRS/CNPq) e PraLinS (UERJ/CNPq). Suas atividades estão direcionadas para o estudo do funcionamento dos mecanismos de produção e interpretação de textos que circulam em diferentes esferas de atividade: midiática, educacional, religiosa, política etc., particularmente, aqueles relacionados ao tema trabalho. Do ponto de vista teórico-metodológico, mobiliza a análise do discurso de tradição francesa, na perspectiva enunciativo-discursiva, e a ergologia, abordagem pluridisciplinar, que vem construindo conhecimentos sobre o trabalho na relação entre os saberes acadêmicos e as experiências dos protagonistas da atividade. Editora, no Brasil, da revista Ergologia (Aix-Marseille). Membro de várias sociedades científicas, entre elas, Societé Internationale d’Ergologie (SIE), Asociación Latinoamericana de Estudios del Discurso (ALED), Association Analyse des Discours de l’Amerique Latine (ADAL) e Asociación de Linguística y Filología de América Latina (ALFAL). Membro do Conselho Técnico-Científico da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho. Participante em Conselhos Editoriais de periódicos científicos. Proponente e coordenadora do GT da Anpoll Linguagem, Enunciação e Trabalho (2006-2008). Áreas de atuação: Linguística Aplicada, Análise do Discurso, Linguagem e Trabalho.

Pesquisa em desenvolvimento – Trama e urdidura: articulações entre atividade de linguagem e  atividade de trabalho, PUC/SP-CNPq

A relação atividade de linguagem/atividade de trabalho pode ser entendida, deslocando a metáfora de Daniellou (1996), como o “nó” que une duas instâncias: a trama e a urdidura. A trama é constituída pelos fios que ligam homens e mulheres a diferentes normas discursivas e laborais; a urdidura é depreendida pela ressingularização, desnaturalização de tais normas. Nesse contexto, tem-se por objetivo estudar a atividade de trabalho de diferentes atores sociais, as normas e os movimentos de renormalização, relacionando-os aos discursos das comunidades profissionais em que esses atores estão inseridos. Do ponto de vista discursivo, recorre-se a noções clássicas propostas por Dominique Maingueneau (2008) e em desdobramentos recentes, configurados na relação ritos genéticos e autoria e na distinção enunciação textualizante e aforizante.(2014). As contribuições referentes à noção de trabalho/atividade de trabalho advêm da abordagem ergológica que se baseia em dois princípios: a formalização de um modo de produção de conhecimento sobre as atividades humanas, notadamente do trabalho e o reconhecimento de que este modo de produção de conhecimento é transformador de situações concretas Assiste-se, então, à confrontação entre os saberes elaborados pelas disciplinas acadêmicas, os “saberes instituídos”, e as experiências, valores, “saberes investidos” pelos protagonistas em seu cotidiano de trabalho (Schwartz, 2011).

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Maria da Glória Corrêa di Fanti, gdifanti@gmail.com

É doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL) pela PUCSP (2004), com doutorado-sanduíche (2001-2002) no Departamento de Ergologia (APST) na Université de Provence Aix-Marseille I, e mestre em Letras (Estudos Linguísticos) pela UFSM (1998). Atualmente é professora-pesquisadora da PUCRS, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL/PUCRS) e editora da Letrônica, Revista Digital do PPGL. Foi coordenadora (2010-2012) e vice-coordenadora (2008-2010 e 2012-2014) do GT Linguagem, Enunciação e Trabalho da ANPOLL. É membro da Société Internationale dErgologie (SIE), da Asociación Latinoamericana de Estudios del Discurso (ALED), da Association Analyse des Discours de lAmerique Latine (ADAL), da Asociación de Lingüística y Filología de América Latina (ALFAL), da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN) e do Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de S. Paulo (GEL). É líder do grupo Tessitura: Vozes em (Dis)curso (PUCRS/CNPq), vice-líder do grupo Enunciação em Perspectiva (UNISINOS/CNPq) e pesquisadora do grupo Atelier Linguagem e Trabalho (PUCSP/CNPq). Tem experiência nas áreas de Linguística Aplicada, Análise do Discurso e Linguagem e Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: discurso, dialogismo, enunciação, gêneros do discurso, ensino, trabalho, mídia, práticas culturais e Círculo de Bakhtin.

Pesquisas em desenvolvimento –

Perspectiva dialógica e abordagem ergológica: questões de linguagem e trabalho

Investigações que focalizam o tema linguagem e trabalho têm apontado para a importância da análise de práticas de linguagem para o (re)conhecimento de atividades distintas de trabalho (Di Fanti, 2009, 2012; Nouroudine, 2002; Souza-e-Silva, 2005). Mas de que concepção de linguagem e de trabalho se está tratando quando se parte desse pressuposto? Instigada a contribuir com pesquisas de cunho interdisciplinar que se voltam para o tema em foco, esta pesquisa tem o objetivo de investigar a produtividade da aproximação entre os estudos bakhtinianos (Bakhtin, 2003, 2010, 2015; Voloshinov, 2010) e os ergológicos (Schwartz, 1994, 2000, 2010; Durrive, 2015), com vistas a desenvolver subsídios teóricos e metodológicos que contemplam a interface linguagem e trabalho. Espera-se com o estudo proposto fazer avançar noções e conceitos convocados das duas áreas, como sujeito e corpo-si, acento axiológico e debate de valores, ato ético e atividade, de modo a iluminar atividades humanas em diversas nuanças, passando pelo visível e o invisível, o socializado e o singular.

A constitutiva e tensa relação com o discurso do outro: questões de pesquisa e de formação na contemporaneidade

Partindo do pressuposto de que a linguagem é constitutivamente dialógica, esta pesquisa focaliza o estudo da tensão, em especial o detalhamento do tenso diálogo de vozes (conflito, ruptura, oposição, aliança, silenciamento etc.) no discurso midiático. A tensão entre discursos, embora esteja na base do pensamento bakhtiniano, é pouco estudada e discutida nas pesquisas que se baseiam na teoria dialógica. Que problemas de compreensão do funcionamento do discurso poderiam ser resolvidos com o aprofundamento dessa perspectiva? Qual a importância desse estudo para a formação do pesquisador e professor? Partindo dessas reflexões, espera-se, por um lado, aprofundar questões teóricas e metodológicas das pesquisas dos integrantes do Grupo Tessitura: Vozes em (Dis)curso e, por outro, desenvolver subsídios consistentes voltados para a formação na contemporaneidade. Integra esta pesquisa maior o projeto “A tensa relação com o discurso do outro e a produção de sentidos: contribuições bakhtinianas para a pesquisa e a formação na contemporaneidade” (Edital Pesquisador Gaúcho, FAPERGS, 2014-2016).

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Maria del Carmen Fátima González Daher, del_daher@id.uff.br

Maria del Carmen Fátima González Daher, assinatura Del Carmen Daher, é doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 2000), realizou estágios pós doutorais em Linguística Aplicada, na Université de Paris XII – Val de Marne (CNPq, 2007), e em Linguística e Língua Portuguesa, na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp-Araraquara, 2006). É mestre em Letras Neolatinas e licenciada em Letras, habilitações Português e respectivas literaturas e Português-Espanhol, ambas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professora do Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Departamento de Letras estrangeiras modernas. Atua na habilitação em Português-Espanhol com formação de professores e na Pós-graduação no Programa de Estudos de Linguagem na linha de pesquisa Teorias do texto, do discurso e da interação. É líder do Grupo de Pesquisa PRÁTICAS de linguagem, trabalho e formação docente (UFF, CNPq, desde 2010). Integra os grupos Práticas de Linguagem e discursividade (PraLinS-UERJ, CNPq) e Atelier – Linguagem e trabalho (PUC-SP, CNPq, desde 1996). Membro do GT Linguagem, Enunciação e Trabalho (ANPOLL). Atua nas áreas de Estudos de linguagem, Análise do discurso e Letras. Professora aposentada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde atuou no Programa de Pós-graduação em Letras, área de concentração: Linguística; Pós-graduação lato sensu em Língua Espanhola e na graduação em Letras, habilitação Português-espanhol.

Pesquisa em desenvolvimento –

A pesquisa se volta para o estudo de práticas sociais por meio das quais se configuram discursivamente um sujeito professor e seu trabalho.  Tem como aportes teóricos uma perspectiva discursiva de base enunciativa (MAINGUENEAU, 1984, 1987, 2000) e contribuições advindas da Ergologia (SCHWARTZ, 1998, 2000) pautadas numa concepção ampliada de situação de trabalho (ROCHA, DAHER, SANT´ANNA, 2002). São objetivos gerais do estudo: (a) contribuir com reflexões sobre o campo profissional do linguista e seu papel como cientista social; (b) colaborar com iniciativas que aproximem instituições formadoras de docentes e professores do ensino básico; (c) dar prosseguimento a estudos desenvolvidos junto ao GT Anpoll Enunciação, linguagem e trabalho e aos grupos de pesquisa PRÁTICAS de Linguagem, trabalho e formação docente (UFF), Práticas de Linguagem e Subjetividade  – PraLinS (UERJ) e Atelier-Linguagem e trabalho (LAEL-PUC/SP). São objetivos específicos da análise: (a) contribuir com investigações voltadas para práticas de linguagem que tornam enunciáveis “verdades” compartilhadas atribuíveis ao trabalho docente; (b) identificar dispositivos que configuram discursivamente modos de constituição desse profissional; (c) identificar relações entre enunciação, práticas de linguagem institucionalizadas e contexto histórico em que se inscrevem essas práticas; e (d) discutir a adequação dessas práticas discursivas às necessidades da profissão.

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Marília Giselda Rodrigues, mariliagiselda@uol.com.br

Professora permamente do Programa de Mestrado em Linguística da Universidade de França (UNIFRAN), atuando no ensino e pesquisa na graduação e pós-graduação. É líder do GTEDI – Grupo de Estudos do Texto e do Dicurso (UNIFRAN/CNPq) e pesquisadora do ATELIER Linguagem e Trabalho (PUCSP/CNPq) e GEDI (UNI-FACEF/CNPq). Pesquisadora do GT da ANPOLL Linguagem, enunciação e trabalho. Possui Licenciatura Plena em Língua Portuguesa e suas Literaturas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1987), mestrado em Linguística pela Universidade de Franca (2008) e doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2013). Experiência também em Jornalismo e Editoração. Atua principalmente nos seguintes temas: discurso das mídias, jornalismo, literatura, linguagem e trabalho, feminismo.

Pesquisa em desenvolvimento – Práticas discursivas e processos de constituição de identidades na mídia, nas artes, na educação e nas diversas esferas de atividades de trabalho.

Com base no referencial teórico e nos diversos autores da Análise do Discurso de linha francesa, inclusive de seus desdobramentos mais recentes, a partir das contribuições de linguistas como Dominique Maingueneau e Alice Krieg-Planque, este projeto visa produzir trabalhos relacionados à discussão teórica e à análise de diversos aspectos do funcionamento discursivo (interdiscurso, cena enunciativa, ethos, autoria, ritos genéticos, gêneros do discurso, fórmulas discursivas e circulação de sentidos) e também relacionados à temática da constituição e legitimação de identidades na mídia, nas artes, na educação e nas diversas esferas de atividades de trabalho, considerando que a questão das identidades está estreitamente ligada aos posicionamentos enunciativo-discursivos inscritos no campo midiático, artístico/literário, educacional etc. Para o exercício da reflexão sobre as questões do trabalho, entendido como atividade humana, sempre entrelaçado às atividades linguageiras, e para a análise de discursos relacionados às diversas esferas de atividades de trabalho, buscaremos apoio na Ergonomia da Atividade, de origem franco-belga, e na Ergologia, tal como preconizada pelo filósofo Yves Schwartz, como forma de abordagem auxiliar nesses estudos.

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Silma Ramos Coimbra Mendes, silma.rcm@uol.com.br

Bacharel em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com mestrado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Suas áreas de atuação são a Linguística e a Linguística Aplicada. É pesquisadora do Grupo de Pesquisa Atelier Linguagem e Trabalho (PUC-SP/CNPq), e do GT Linguagem, Enunciação e Trabalho da ANPOLL. É especialista em Publicidade e Mercado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ECA /USP. Com experiência de onze anos na docência do ensino superior, atualmente desenvolve cursos de Análise do Discurso na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/ Cogeae e atua na formação de professores na interface escola/empresa. Seus temas de interesse estão voltados para a relação linguagem e trabalho, linguagem e educação e linguagem e publicidade.

Pesquisa em desenvolvimento – Discursos e transaberes na articulação empresa – escola

Este projeto de pesquisa busca ampliar os estudos desenvolvidos na linha de pesquisa Linguagem e Trabalho que versam sobre a articulação empresa-escola, tendo como aporte teórico-metodológico a análise do discurso francesa, conforme desenvolvida por Dominique Maingueneau e a abordagem ergológica a partir dos trabalhos de Yves Schwartz. A hipótese de pesquisa é de que a profunda hierarquização e supremacia dos processos empresariais sobre aqueles da esfera educacional se traduz em uma relação marcadamente desigual, na qual irrompem ora discursos de “parceria” legitimados pelas comunidades discursivas envolvidas, ora debates de normas e valores em transaberes relativos ao “aqui-agora” da experiência. A pesquisa direciona seu olhar discursivo-ergológico especificamente sobre um projeto socioambiental (EducAção) da International Paper, multinacional líder do setor de papel e celulose, localizada no interior de São Paulo. Os procedimentos metodológicos envolvem o levantamento de textos prescritivos que regem as ações de sustentabilidade promovidas pela empresa, a análise discursivo-ergológica de oficinas ministradas a professores e alunos das escolas da região, com a finalidade de subsidiá-los como técnicas de escrita para participação em concurso literário, assim como a análise de dados colhidos em entrevistas semiestruturadas com representantes institucionais das duas áreas, das quais se depreendem aspectos residuais de conteúdos renormalizados.

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Vera Lucia de Albuquerque Sant’Anna, verasantanna@terra.com.br

Vera Lucia de Albuquerque Sant’Anna é Professora Associada e Pesquisadora no Instituto de Letras da UERJ, onde atua desde 1981. Na Pós-graduação em Letras, área de concentração em Linguística, está ligada à linha de pesquisa Práticas de linguagem e discursividade (desde 2000). Na Especialização em Leitura em Língua Espanhola, desenvolve suas atividades desde 1994. Na Graduação, é docente da habilitação Português-Espanhol, desde 1981. Concluiu o doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 2000 (com bolsa Capes). Desenvolveu atividades de pós-doutoramento em Paris VII (2005) e no LAEL-PUC/SP (bolsa CNPq-2006). Realizou seu Mestrado em Letras Neolatinas na Faculdade de Letras da UFRJ (defesa 1988), bem como sua graduação e licenciatura em Letras, habilitação Português-Espanhol (1974-1978). Integra os grupos de pesquisa Práticas de Linguagem e Subjetividade (PraLinS-UERJ, desde 2009) e Atelier Linguagem e Trabalho (PUC/SP, desde 1996). É membro do GT ANPOLL Linguagem. Enunciação e Trabalho. Atua na área de formação de professores de língua estrangeira e em Linguística, com ênfase em Análise do Discurso de orientação enunciativa.

Pesquisa em desenvolvimento – Discursividades em contraste: reformas curriculares e formação para o trabalho de professor de línguas

Mudanças propostas por regras editadas em 2015/2016 e seguintes

2016-2019

 Esta pesquisa dá continuidade a estudos centrados num conjunto de documentos que registra reformas da licenciatura, em especial aqueles produzidos no âmbito da legislação federal sobre a matéria e no dos textos editados pelos órgãos reguladores da UERJ, no que se refere ao curso de Letras. Tem como propósito estudar esse material como prática discursiva que cria prescrição para a formação e para o trabalho de professor, ou seja, como normas antecedentes, tal como definidas pelos estudos ergológicos (SCHWARTZ, 1998, 2000). A pesquisa toma como referencial teórico estudos em Análise do Discurso (MAINGUENEAU, [1985] 2005), contribuições de Bakhtin e seu círculo ([1979] 1992, 2010), estudos sobre currículo (SILVA, T., 2007). Seus objetivos são analisar legislação federal que altera a formação do professor, editada entre os anos de 2015-2016 e seguintes; identificar linhas de discursividades que fundamentam a formação profissional de professor, tendo como desdobramento previsto o acompanhamento da reforma em curso na UERJ para a formação de professor de espanhol como língua estrangeira; discutir o papel da relação entre concepção teórica de língua, de ensino de língua e as ementas de disciplinas oferecidas à graduação em Letras; apontar questões a serem discutidas pela comunidade envolvida nessa formação.